"Que o convívio comigo mesmo, seja pelo menos suportável..."
O sono dos justos, dos conformados. Sono angelical, puro, aonde o refrigério do labor se encontra em regojizo pleno. A mente se encontra em conforto, a visão se encontra em marasmo. Aonde apenas a preucupação do acordar existe; de vez em quando. O sono que alimenta, o sono que da novas forças ao espírito. O sono que cria sonhos, esperanças. O sono que te permite abraçar sua contraparte. Que te permite semicerrar os olhos, se deliciando com a beleza de sua amada. O sono dos grandes.
No princípio buscava a inspiração em meus amigos. Depois passei a buscar em minha musa. Esta, a quem tanto devo, me desperta sentimento nobres. Sentimentos que quero retribuir, mas, não sei se devo, ou posso. Hoje busco no cotidiano. Hoje descobri que o cotidiano é apenas o viver automático. Isto não me interessa. Quero mais que isso.
Afogar-se em um mar de incertezas, puxado pelo seu coração, é algo horrível. Não valhe a pena. A amargura do não conseguir, do não encontrar machuca, e muito.
Resolvi silenciar-me. Afim de que o silêncio cubra meu anseio e assim, quem sabe, faça ele calar. Algo que hoje percebi, ser muito idiota. Devo falar, devo escrever. Devo matar meu anseio com as palavras, usar a caneta para vencer meus demônios interiores. E assim eu vou fazer.
Cometi um crime, um crime imperdoável no mundo das letras. O mundo das letras também tem leis. Leis mais duras que o mundo dos homens, pois elas são baseadas em sentimentos. Há momentos atrás, horas, minutos, tornei-me um criminoso. Embora eu não considere-me.
Ma sucrée songer... Meu doce sonho.
Estava clamando por novos horizontes. Estava vivendo de uma forma desesperadora. Meu coração não se aquietava, algo estava acontecendo. Apesar de buscar, não encontrava. Meu coração apenas dilacerva meu peito. Sem dizer a causa do flagelo.
Estaría eu amando? Mas quem? Quem sería o alvo de minhas atenções? Sería a fonte de meu desvaneio, a verdade absoluta de minhas ações? A causa de um viver, de um ser, de um querer? Nem eu mesmo sabía.
Estaría tão cego a ponto de nem isso conseguir ver?
Comecei a desanimar. Observava a todos. A tudo. Em vão...
Hoje, a luz foi-me mostrada.
Quanto ao crime? Apaixonei-me por minha musa. Algo errado para as leis que regem o estilo, a métrica, o lirismo. Algo certo para meu coração.
Fui pego na sina do desinteresse. A sina do "menos espero". Nunca pensei nisso. Nunca tal coisa passou por minha mente. Sempre tomei minha musa como amiga. Uma amizade sem interesse posso afirmar. Cujo prazer é o do diálogo, da troca de confidências. Alimentar essa amizade de bons momentos, sem pensar em evoluir ela para o "algo mais". Assim eu vivia, até que hoje, pude perceber como mudou.
(Pausa)
Meu coração se aquietou. Estou mais aliviado.
Não sei devo alimentar esse novo sentimento. Sei que o sentimento de amizade, para mim um dos mais nobres, será sempre alimentado. Mesmo que não haja correspondência, espero pelo menos minha musa ela continue sendo. Se minhas palavras lhe causaram desaprovação, espero que intenda, são palvaras de um homem apaixonado. Que após muito buscar, descobriu que a porta para seu caminho, sempre esteve ao seu lado.
Só peço a tí um momento, para que meu coração hoje aliviado e feliz, durma o sono dos justos. Afim de quando ele acordar ou passe a viver alimentado de um novo amor, ou, agora descançado, possa encontrar sossegado um novo amanhã.
Sei que na próxima troca de olhares, haverá um desconforto. Sei que na próxima palavra trocada haverá uma ansiedade. Mas nada que não possa ser vencido.
Sim, hoje estou feliz. Mesmo que meus anseios não se concretizem, estou feliz. Minha busca de tanto tempo acabou. E acabou em um ponto, por mais inimaginável que seja, de mais puro resplendor.
Ma sucrée songer...
Bruno
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